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Regional Sudeste I

E agora, José? O que é Psicanálise?

No último sábado, 20 de junho, tivemos a abertura dos Encontros Regionais promovidos pela ABC. A região Sudeste I (Ribeirão Preto, Campinas e São Paulo) “puxou a fila” e realizou o primeiro Regional na modalidade virtual. Foi uma manhã animada e produtiva, de muitas trocas.  Após a abertura de nossa presidente da ABC, Aline Wageck, e das boas vindas dos diretores dos Institutos Nelson Nazaré Rocha (GepCampinas), Maria Bernadete Amêndola Contart de Assis (SBPRP) e a Secretária de Acompanhamento Dora Tognolli (SBPSP), demos início as mesas de trabalho. Iniciamos a conversa pensando as repercussões da pandemia na formação psicanalítica. A representante do GepCampinas, Isabela Cardia, com uma apresentação poética, nos deu o tom do evento diante do “toque de recolher” imposto pela pandemia:  “E agora, José? Agora a gente sonha.”

Isabela contou-nos como foi a organização do GEPCampinas, um grupo ainda pequeno (está na terceira turma de formação), diante da necessidade de recolhimento para o isolamento social. Disse-nos que as atividades do Instituto se reorganizaram rapidamente para a modalidade virtual e dentro de 10, no máximo 15 dias, estava tudo certo. Tudo mesmo? Se, por um lado, reordenar as atividades foi relativamente simples, por outro lado Isabela nos conta do impacto nos membros filiados (candidatos) desta rapidez para retomar os trabalhos: sua turma estava dividida quanto à possibilidade de conciliar demandas de casa, filhos, atividades da formação. Como reencontrar um lugar para a formação quando, de alguma maneira, fomos exilados de nossos lugares conhecidos? Qual será a marca deixada em nós psicanalistas, em nossa formação, a partir deste exílio involuntário para o espaço virtual? Estes foram alguns dos questionamentos abertos pela Isabela.

Ana Laura Rabelo Araújo, representante da SBPSP, apresentou-nos algumas características do Instituto de São Paulo e de seu grupo de membros filiados. Enquanto um grupo muito grande e antigo, com mais de 300 colegas em formação, os membros filiados do Instituto de São Paulo contam com bastante estruturação, inclusive de sua Associação de Membros Filiados (AMF). Por outro lado, em se tratando da integração de seus membros, este grupo também parece se sentir “engatinhando”. Nesse sentido, a pandemia, que impõe a necessidade de comunicações virtuais, abriu portas para novas possibilidades: foi criado um grupo de whatsapp para comunicação mais direta entre os membros filiados. Neste caso a distância, paradoxalmente, tem aproximado as pessoas. Ana Laura contou-nos também de uma pesquisa, feita pela Associação (AMF), para investigar os impactos da pandemia na vida dos membros filiados. As perguntas foram bem abrangentes, versando sobre as atividades da formação on line, questões financeiras relacionadas aos impactos no consultório, aos impactos na família em geral e repercussão disso na formação.

A segunda mesa, composta por membros filiados da SBPRP, trouxe alguns estímulos para se pensar sobre o que acontece com a psicanálise quando se vê obrigada a transformar o modo pelo qual se dão seus encontros: do presencial para o virtual. 

Denise Zanin (esta que vos fala!) enfatizou que a psicanálise está sempre em movimento, lidando com o inusitado, seja no consultório, seja em suas interações com o mundo. Foram abertas algumas questões sobre as modificações requeridas pelos atendimentos virtuais. Onde elas incidem? O que se perde? O que surge como novas possibilidades? O que acontece ao método psicanalítico? Trouxe a ideia de invariantes proposta por Bion (o que seria essencial de se manter para que continuemos a realizar psicanálise?) e uma espécie de “fé” no fato de que nos atendimentos virtuais, assim como a planta busca a luz, aquilo que precisa se expressar, em termos de fenômenos mentais, encontra um caminho para isto.

 

Simone Bianchi Sanches (representante da SBPRP) e Sarah Barreto Prado (membro filiado da SBPRP) apresentaram reflexões sobre os desafios dos atendimentos de crianças e adolescentes a distância, através de situações clínicas muito interessantes. Simone nos contou um pouco sobre as formas criativas com que diminuiu as distâncias impostas pelo isolamento social e construiu pontes para se aproximar emocionalmente de suas crianças e adolescentes (os que estavam sendo atendidos on line e também os que haviam interrompido os atendimentos durante a pandemia). Ela preparou um material para entregar aos seus pacientes em suas casas, uma caixa com objetos significativos para a dupla analítica e uma carta para os pacientes. Nesta travessia empregada pra se chegar até as crianças e adolescentes, um de “seus pequenos” reencontrou o caminho de volta para as sessões. Destacou, com o auxílio de seu pacientinho, quantas turbulências é preciso enfrentar para poder se estar junto!

Sarah nos apresentou uma visão dos desafios vividos nos atendimentos infantis como momentos de encruzilhadas, nos quais temos alguns caminhos, algumas perspectivas e temos de fazer escolhas. Trouxe as propostas de interação de “suas crianças” como convites que o analista avalia se pode aceitar. Descreveu algumas situações inusitadas diante das quais Sarah “topou” experimentá-las com seus pacientes, o que gerou oportunidades de viver experiências novas e criativas (a partir dos recursos da tecnologia). Também descreveu situações em que tomou uma decisão diferente: interromper aquela sessão.

Tentei dar uma ideia do meu olhar sobre o que foi proposto pelas mesas, mas os participantes - tanto do Regional, quanto do Nacional – também contribuíram bastante, ampliando as discussões, trazendo elementos diferentes e promovendo novos encontros e reencontros. Foi um prazer estar com todos durante esse regional! Agradeço a ABC por ter nos permitido atravessar distâncias para nos “conectarmos” e pensarmos juntos!

 

Denise Zanin, Conselheira ABC Região Sudeste I

Regional Sudeste I
Ampliação Nacional

A atividade transcorreu de maneira muito rica e proveitosa, com cerca de 60 colegas debruçados sobre o tema “E agora, José? - O que é Psicanálise?”. A novidade desse encontro, além da modalidade on-line, foi a abertura, em um segundo momento, para a participação de colegas de todo país - momento chamado de “Nacional”.

A atividade Nacional teve início com uma síntese do que aconteceu na primeira etapa do evento, apresentada pela Conselheira Denise Zanin. Diversos colegas manifestaram-se, ponderando suas percepções e ampliando a discussão. Alguns destacaram que, apesar do momento difícil, acham fundamental mantermos germinando uma relação terapêutica afetiva com nossos pacientes, para que possamos ajudar a seguirem sonhando em tempos difíceis. Também, a ênfase para a beleza do que o grupo estava experimentando juntos naquele momento.

E assim, ainda inspirados por Drummond, “Clara manhã, obrigado. O essencial é viver”, encerramos este primeiro encontro, que já nos deixa com saudades e profundamente gratos.

 

Diretoria ABC - Gestão 2020-2021

Regional Sudeste I
Reflexões acerca da Psicanálise

Material produzido pela Conselheira e Representantes da Região Sudeste I, apresentado no evento, com a colaboração dos colegas das Sociedades e Grupos da região.

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